CASO WALDIRENE: Jesuíno Boabaid cobrou rigor na investigação desde o primeiro dia e motorista acaba indiciado por homicídio doloso e quatro tentativas

Advogado, ex-deputado estadual e ciclista, Jesuíno Boabaid se manifestou ainda no dia da tragédia defendendo que a gravidade das condutas fosse analisada para além de um simples acidente de trânsito. Dias depois, o inquérito do DHPP foi concluído com indiciamento por homicídio doloso, quatro tentativas de homicídio e outros crimes.

A conclusão do inquérito sobre a morte da ciclista Waldirene Miranda, de 58 anos, ocorrida no domingo, 23 de agosto, na BR-319, em Porto Velho, trouxe à tona uma cobrança feita ainda nas primeiras horas após a tragédia pelo ex-deputado estadual e advogado Jesuíno Boabaid.

Além de advogado e ex-parlamentar, Jesuíno também pratica ciclismo e, diante da repercussão do caso, manifestou-se publicamente ainda no dia dos fatos, cobrando das autoridades competentes uma apuração rigorosa de toda a dinâmica ocorrida antes e depois do atropelamento.

A preocupação manifestada naquele momento era para que o episódio não fosse analisado apenas como um acidente de trânsito com resultado morte, mas que fossem consideradas todas as circunstâncias narradas na ocorrência, especialmente os indícios de ingestão de bebida alcoólica, a fuga do local, a ausência de socorro e, principalmente, os acontecimentos posteriores ao atropelamento.

Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, Waldirene pedalava acompanhada de outros ciclistas quando foi atingida por um caminhão na BR-319, nas proximidades da ponte sobre o rio Madeira.

As informações policiais apontaram que o motorista apresentava sinais de alteração da capacidade psicomotora e recusou o teste do etilômetro. Conforme divulgado pela imprensa, ele admitiu ter consumido cerveja durante a madrugada.

COBRANÇA POR UMA ANÁLISE MAIS RIGOROSA

Na condição de advogado e também de ciclista, Jesuíno Boabaid chamou atenção desde o primeiro momento para a necessidade de analisar juridicamente a sequência completa das condutas atribuídas ao motorista.

Isso porque, além do atropelamento fatal, a investigação passou a considerar os atos que teriam ocorrido posteriormente. Segundo as informações apuradas, o caminhoneiro teria retornado ao local e direcionado o veículo contra pessoas que estavam na região prestando auxílio e fazendo a proteção do local, chegando a atingir um automóvel utilizado na contenção da via.

Para Jesuíno, fatos dessa gravidade exigiam uma resposta proporcional do Estado e uma investigação capaz de verificar eventual existência de dolo eventual e de outros crimes autônomos, sem limitar prematuramente o episódio à figura do homicídio culposo de trânsito.

A manifestação ganhou relevância porque o registro inicial efetivamente tratava o caso como homicídio culposo. Posteriormente, com o aprofundamento das investigações pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), houve mudança na linha jurídica da apuração, que passou a considerar o homicídio com dolo eventual.

INQUÉRITO CONFIRMA GRAVIDADE E MOTORISTA É INDICIADO

Menos de uma semana depois da morte de Waldirene, o DHPP concluiu o inquérito.

O resultado da investigação foi significativamente mais grave do que o enquadramento inicialmente adotado: o motorista foi indiciado por homicídio doloso e por quatro tentativas de homicídio.

Além dos crimes contra a vida, a investigação também apontou indiciamentos relacionados a dano qualificado, condução de veículo sob influência de álcool, fuga do local e omissão de socorro.

A conclusão policial sustenta, em tese, que as circunstâncias reunidas durante a investigação permitem considerar que o motorista assumiu o risco de produzir resultados fatais. A análise definitiva dessas imputações, entretanto, caberá ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, sendo importante destacar que indiciamento não significa condenação.

“NÃO PODERÍAMOS TRATAR COMO UM SIMPLES ACIDENTE”

Para Jesuíno Boabaid, o avanço das investigações demonstra a importância de uma análise criteriosa dos fatos desde o primeiro momento.

“Desde o dia em que essa tragédia aconteceu, nossa cobrança foi para que todas as circunstâncias fossem apuradas. Não poderíamos olhar para uma situação dessa gravidade e simplesmente tratá-la como um acidente comum. Existia uma morte, havia relatos de ingestão de bebida alcoólica, fuga, omissão de socorro e, ainda, uma conduta posterior que precisava ser investigada em relação às demais pessoas que estavam naquele local. Como advogado, sempre defendi que os fatos fossem enquadrados de acordo com aquilo que efetivamente ocorreu e com o que fosse comprovado pela investigação”, afirmou Jesuíno.

O ex-deputado ressaltou ainda que sua manifestação também ocorreu na condição de alguém que conhece de perto a realidade enfrentada pelos ciclistas.

“Eu sou ciclista. Quem pedala sabe o quanto somos vulneráveis diante de um veículo, principalmente nas rodovias. Waldirene saiu para praticar um esporte, buscando saúde e qualidade de vida, e não voltou para sua família. Precisamos de respeito, fiscalização e, quando uma tragédia acontece, de uma resposta firme das instituições dentro da lei”, declarou.

JUSTIÇA PARA WALDIRENE

A morte de Waldirene Miranda provocou forte comoção entre familiares, amigos e integrantes da comunidade do ciclismo de Rondônia.

Para Jesuíno Boabaid, a conclusão do inquérito representa uma etapa importante, mas o caso ainda deverá percorrer o devido processo legal.

“Não buscamos vingança. Buscamos Justiça. A defesa tem seus direitos, o acusado terá direito ao contraditório e à ampla defesa, mas a família da vítima e toda a sociedade também têm o direito de exigir que fatos dessa magnitude sejam investigados com rigor e recebam a resposta prevista na legislação brasileira”, concluiu.

O motorista permanece submetido às decisões do Poder Judiciário. Sua prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia.

Com o encerramento do inquérito policial, o procedimento segue para análise do Ministério Público e do Poder Judiciário, que definirão as próximas etapas do caso.

A cobrança feita desde o primeiro dia por Jesuíno Boabaid tinha um ponto central: que nenhuma das condutas fosse ignorada e que a morte de Waldirene Miranda recebesse uma investigação compatível com a gravidade dos fatos. A conclusão do DHPP, com indiciamento por homicídio doloso, quatro tentativas de homicídio e outros delitos, demonstra a dimensão jurídica que o caso adquiriu após o aprofundamento das investigações.

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